sábado, 30 de abril de 2011

16 de novembro de 1904

Como eu havia dito, com a situação aqui incontrolável, o governo realmente declarou estado de sítio. Muitos amigos e parentes meus infelizmente foram mortos pelo exército. Custei a acreditar quando me disseram que foram dezenas de mortos. Que tipo de país é esse que mata sua própria população?  Soube que o namorado da minha filha mais velha foi deportado para o Acre, assim como muitos outros protestantes. Não sei se isso compensa esses assassinatos, mas agora a obrigatoriedade da vacina foi revogada. 

Aqui está uma foto da última barricada a cair:

Verso da Agulha

Meu cunhado, José Coelho, fez estes versos sobre o conflito pelo qual estamos passando e pediu para mostrá- lo a vocês:




Estão limpando a cidade pra ficar que nem Europa
Mas a pior sujeira é desabrigar o pobre carioca
Pra complicar a história, agora a tal vacina é até obrigatória
Espetar minha família, eu deixo não

Mas veja ai uns “tal  doutô” que se julga sabichão,
E invade minha casa com uma agulha na mão
De ignorante me chamam
Aqueles que se acham competentes
Mas como vamos saber,
Se não explicam pra gente?

O nosso governo inteligência não tem mesmo, não
Em vez de ensinar o povo, parte logo pra agressão       
Se quem diz que vacina é boa,
Bate num pobre cidadão,
Como posso ter certeza que isso não é ilusão?

Dizem que a tal ciência é a dona da verdade,
Mas não posso permitir que ela mate a liberdade
O povo está muito certo em reagir
Só espero que essa “guerra” acabe logo por aqui!

Por volta do dia 10 de Novembro

Os protestos estão tão intensos que eu nem sei mais que dia é hoje, só sei que ontem(acredito que dia 10) começaram manifestações contra os policiais e os  "agentes da saúde"(assassinos disfarçados de médicos).
Os conflitos estão tão violentos que chegaram ao ponto de depredar, saquear, invadir repartições públicas. Correndo para minha casa, desviando dos tiroteios, acho que tive a impressão de ver uma barricada e um corpo estirado no chão.
Também ouvi alguns boatos de que o governo decretará estado de sítio.
 
 

























Imagens de: http://vacinarevoltada.blogspot.com/

2 de novembro de 1904

A cidade está um caos. E não é que o eles iniciaram também uma campanha de extermínio de ratos transmissores da peste bubônica. Mas na verdade, eles espalharam esses raticidas pela cidade para nos matar já que não queremos desocupar o centro, tão almejado para reformas. Que segundo a oligarquia paulista do café, além de vergonha nacional, as condições sanitárias do Rio impedem a chegada de investimentos, maquinaria e mão-de-obra estrangeira, como se precisássemos de mão-de-obra estrangeira, o que mais temos é desemprego. Ainda mandaram o povo recolher o lixo, como se não fosse obrigação deles.E tenho uma nova e triste notícia, com a desculpa de erradicar a varíola o Oswaldo Cruz, aquele sanitarista, convenceu o Congresso a aprovar a Lei da Vacina Obrigatória, no dia 31 de Outubro de 1904, que permite que brigadas sanitárias, acompanhadas por policiais, entrem nos nossos lares para aplicar a vacina à força. Vacina que disseram ter um vírus nela que querem injetar em nossas veias, povo louco!Esse atentado planejado quer tirar o que de mais sagrado contém o patrimônio de cada cidadão: pretende-se esmagar a liberdade individual sob a força bruta. Os sanitaristas e o pessoal do governo falam que é ignorância popular se recusar a tomar a tal vacina, e por acaso a imprensa também é ignorante? Acho, tenho certeza, que não. Pois vemos todos os dias manchetes, como: “Vacina ou Morte”, “O Monstruoso Projeto” ambos do jornal Correio da Manhã, que criticam como nós essa idéia inconseqüente de vacina obrigatória (e até ironizam isso), onde já se viu?


quarta-feira, 27 de abril de 2011

28 de outubro de 1904

Agora é mesmo certo que o presidente da República Rodrigues Alves está decidido a sanear e modernizar a cidade, ele deu plenos poderes ao prefeito Pereira Passos e a um tal de Oswaldo Cruz, que disseram ser médico, para executarem um grande projeto sanitário. O prefeito está fazendo uma grande reforma urbana, que todos chamam de bota abaixo, já que estão havendo demolições dos velhos prédios e cortiços, que darão lugar a grandes avenidas, edifícios e jardins. Milhares de pessoas pobres, como eu, estão sendo desalojadas à força, sendo obrigadas a morar nos morros e na periferia. Tenho medo de chegar minha vez, e não ter onde sequer morar com minha família. Que modernização é essa que não respeita a população? Estão varrendo os pobres da cidade como quem varre sujeira para debaixo do tapete.Afinal, a modernização seria benéfica se melhorasse a vida de todos os cariocas em vez de tratar a parte pobre como um esgoto a ser limpo!
Vi também no jornal que Oswaldo Cruz, convidado a assumir a Direção Geral da Saúde Pública, criou as Brigadas Mata Mosquitos. E agora grupos de funcionários do Serviço Sanitário invadem as casas para desinfecção e extermínio dos mosquitos transmissores da febre amarela. Como se adiantasse alguma coisa, como as pessoas são burras e acreditam em tudo! Quem garante que o veneno que eles usam para matar mosquitos não nos faz mal, não seja algum tipo de “veneno para pobre"?

25 de outubro de 1904

A Capital, Rio de Janeiro, futura cidade maravilhosa? Por enquanto não tem nada de maravilhoso. Só vejo pobreza, preconceito, desemprego, doenças. Sintomas que estão prestes a explodir numa convulsão. E o Rio ainda é o destino de muitos: ex-escravos libertados em 1888, imigrantes europeus em busca de emprego, desertores e excedentes das Forças Armadas e imigrantes das fazendas de café, que não vão lá muito bem das pernas.
Tenho motivos de sobra para reclamar de minhas condições de vida, e do governo em particular. Falta-me tudo, desde emprego, pois só vivo de bicos, a esgoto em minha casa, se é que posso chamar de casa o cortiço em que vivo. Vejo lixo na rua, ratos por todo lado, pessoas morrendo de doenças desconhecidas e a cada dia vejo mais pessoas em condições iguais as minhas. E ainda, as autoridades nos chamam de ralé, malandros ou desocupados, sendo que somos nós as vitimas da falta de oportunidade e das péssimas condições de moradia e saúde.Vejam só o lugar onde eu, minha família e mais outras famílias moram:
A respeito das doenças, vocês sabiam que,em 1895, ao atracar no Rio, o contratorpedeiro italiano Lombardia perdeu 234 de seus 337 tripulantes por febre amarela, dá pra acreditar? E a situação está tão crítica que, durante o verão, os diplomatas estrangeiros se refugiam em Petrópolis, para se livrar do contágio das pestes. Enquanto isso, nós, pobres coitados não temos saída. Quer dizer, um boato está correndo que haverá uma saída, saída de todos do centro da cidade, pois querem urbanizá-lo, embelezá-lo e provavelmente farão isso expulsando a pobreza, ou melhor os pobres, do centro da cidade.


Imagem:

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Informaçoes do grupo

Blog de posicionamento favorável à Revolta da Vacina.
Professor: Marcelo Afonso
Turma: 3º At
Unidade: Taguatinga
Componentes: Amanda Soares, Bárbara Rotta, Camila Seixas, Karina da Silva, Rafaela Nunes, Tamisa Motta, Thais Sousa, Victor Ribeiro.