Agora é mesmo certo que o presidente da República Rodrigues Alves está decidido a sanear e modernizar a cidade, ele deu plenos poderes ao prefeito Pereira Passos e a um tal de Oswaldo Cruz, que disseram ser médico, para executarem um grande projeto sanitário. O prefeito está fazendo uma grande reforma urbana, que todos chamam de bota abaixo, já que estão havendo demolições dos velhos prédios e cortiços, que darão lugar a grandes avenidas, edifícios e jardins. Milhares de pessoas pobres, como eu, estão sendo desalojadas à força, sendo obrigadas a morar nos morros e na periferia. Tenho medo de chegar minha vez, e não ter onde sequer morar com minha família. Que modernização é essa que não respeita a população? Estão varrendo os pobres da cidade como quem varre sujeira para debaixo do tapete.Afinal, a modernização seria benéfica se melhorasse a vida de todos os cariocas em vez de tratar a parte pobre como um esgoto a ser limpo!
Vi também no jornal que Oswaldo Cruz, convidado a assumir a Direção Geral da Saúde Pública, criou as Brigadas Mata Mosquitos. E agora grupos de funcionários do Serviço Sanitário invadem as casas para desinfecção e extermínio dos mosquitos transmissores da febre amarela. Como se adiantasse alguma coisa, como as pessoas são burras e acreditam em tudo! Quem garante que o veneno que eles usam para matar mosquitos não nos faz mal, não seja algum tipo de “veneno para pobre"?
José Pereira, você está absolutamente certo. A maneira com que estão sendo conduzidas a modernização da cidade e o controle das epidemias está completamente errada. Agir de forma autoritária, violenta e discriminatória para com os pobres não está com nada. Mas vocês são a maioria! Talvez seja possível uma união para tentar reverter tantas injustiças. Às vezes uma revolução popular é a única maneira de evitar tantos abusos do governo!
ResponderExcluirJosé Pereira,concordo plenamente com o senhor.O senhor sabe melhor do que ninguem dos abusos que o governo tem feito para "melhorar" o cidade do Rio de Janeiro.Esse governo tem sido seletivo e elitizado.Essa campanha não passa de uma forma de beneficiar as elites e o estrangerismo.A modernização no Rio de Janeiro deveria melhorar a vida de toda a população mas infelizmente não foi isso que aconteceu.Com a modernização a população de baixa renda foi a maior prejudicada ja que tivemos que abandonar nossas casas e nos mudar para os morros sem menor infraestrutura.
ResponderExcluirPrezado Senhor José Pereira,
ResponderExcluirpeço perdão ao rebater a sua argumentação, porém não consigo me posicionar de outra maneira que não sendo contrária. Chega a ser contraditória sua posição à respeito da revolta da vacina, visto que o Senhor, sendo um pai de família, deveria preocupar-se com seus filhos e mulher, se preocupar com a saúde destes, que uma simples agulhada servirá como uma prevenção contra futuras enfermidades.
E vale lembrar também que os médicos e militares têm invadido as casas por falta de opção, visto que não existe outra saída que não essa, sabendo da ignorância da população que tem medo de receber a vacina.
Admira-me sua argumentação que, por mais intensa e cheia de atitude que seja, tais qualidades são camufladas pela tamanha ignorância.
A ignorância da população foi decorrente da falta de informações veiculadas pelo governo, visto que a vacinação era um processo novo, descoberto apenas décadas antes na Europa. O homem da época poderia ser ignorante, mas os esclarecidos nem se deram ao trabalho de explicar, deixando a população à mercê dos boatos. Boatos esses que eram, em parte, verdadeiros, pois a vacina continha sim o vírus da doença e, de acordo com a Lei da Vacina Obrigatória, os que se recusassem a tomar agulhadas seriam presos.
ResponderExcluirMe diga se a população concordaria com essa situação, "entre a cruz e a espada". De um lado estava o extermínio dos pobres por meio da injeção obrigatória da doença em seus corpos, do outro, a prisão ou o exílio para o Acre, sem família, amigos, emprego ou desenvolvimento.
A população não teve escolha senão protestar.