A Capital, Rio de Janeiro, futura cidade maravilhosa? Por enquanto não tem nada de maravilhoso. Só vejo pobreza, preconceito, desemprego, doenças. Sintomas que estão prestes a explodir numa convulsão. E o Rio ainda é o destino de muitos: ex-escravos libertados em 1888, imigrantes europeus em busca de emprego, desertores e excedentes das Forças Armadas e imigrantes das fazendas de café, que não vão lá muito bem das pernas.
Tenho motivos de sobra para reclamar de minhas condições de vida, e do governo em particular. Falta-me tudo, desde emprego, pois só vivo de bicos, a esgoto em minha casa, se é que posso chamar de casa o cortiço em que vivo. Vejo lixo na rua, ratos por todo lado, pessoas morrendo de doenças desconhecidas e a cada dia vejo mais pessoas em condições iguais as minhas. E ainda, as autoridades nos chamam de ralé, malandros ou desocupados, sendo que somos nós as vitimas da falta de oportunidade e das péssimas condições de moradia e saúde.Vejam só o lugar onde eu, minha família e mais outras famílias moram:
A respeito das doenças, vocês sabiam que,em 1895, ao atracar no Rio, o contratorpedeiro italiano Lombardia perdeu 234 de seus 337 tripulantes por febre amarela, dá pra acreditar? E a situação está tão crítica que, durante o verão, os diplomatas estrangeiros se refugiam em Petrópolis, para se livrar do contágio das pestes. Enquanto isso, nós, pobres coitados não temos saída. Quer dizer, um boato está correndo que haverá uma saída, saída de todos do centro da cidade, pois querem urbanizá-lo, embelezá-lo e provavelmente farão isso expulsando a pobreza, ou melhor os pobres, do centro da cidade.
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